Como é cobrado o projeto de arquitetura depende do escritório: por percentual sobre o custo da obra, por metro quadrado ou pelas horas de trabalho da equipe. Só que o preço do projeto é uma parte da conta. Quando arquiteto, engenheiro e mestre de obras são contratados separados, existe um trabalho de coordenação que não aparece em nenhuma das propostas.
A gente escreve do lado de quem projeta e também toca a obra. Na NavesBelezini, em Ribeirão Preto, projeto e gestão de obra podem ficar com a mesma equipe, e a taxa de administração varia conforme a origem do projeto. É no canteiro que aparece o que orçamento nenhum descreve: as decisões que ficam sem dono no espaço entre quem desenhou e quem executa.
Como é cobrado o projeto de arquitetura?
No mercado, dois formatos que aparecem com frequência são o percentual sobre o custo estimado da obra e o valor por metro quadrado de área projetada. Há escritórios que trabalham com outras lógicas, como a cobrança por horas que a gente usa e explica mais abaixo.
Para quem quer entender de onde saem esses valores, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo mantém uma Tabela de Honorários, cujo primeiro módulo, dedicado ao projeto arquitetônico de edificações, foi aprovado pela Resolução CAU/BR nº 64, de 2013. O portal oficial reúne as tabelas e uma calculadora, o que ajuda a entender a lógica da remuneração, mas não substitui a proposta do escritório, que depende do escopo de cada projeto.
Aqui, o projeto é cobrado pelas horas de trabalho. A estimativa de cada proposta parte da produtividade recente da equipe, e as horas de trabalho são acompanhadas em um software de cronometragem. Este texto não traz tabela de preços porque o número só faz sentido depois que o escopo está claro.
Quanto cobram o engenheiro e o mestre de obras?
Na execução, a lógica de cobrança muda. Segundo uma reportagem da BM&C News de maio de 2026, o engenheiro responsável pela gestão e execução costuma cobrar um percentual sobre o custo do canteiro, somando materiais e mão de obra, enquanto o mestre de obras normalmente recebe por mês de trabalho. A reportagem não traz fonte primária verificável, e por isso os valores que ela cita ficam de fora daqui.
Na NavesBelezini, a gestão de obra é cobrada por taxa de administração. Ela varia com a complexidade do projeto, o tamanho da obra e a origem do projeto, porque gerenciar uma obra cujo projeto nasceu no escritório dá menos trabalho: a equipe já conhece o porquê de cada decisão e não precisa reconstruir a intenção de outra pessoa. O que entra nesse serviço está descrito na página de gestão de obras.
O que as três propostas separadas não mostram?
Na hora de comparar orçamentos, três propostas avulsas costumam parecer enxutas, porque cada uma descreve só a sua parte e pode ser confrontada item a item com a concorrência. O que nenhuma delas descreve é o espaço entre as três. Alguém precisa compatibilizar o projeto de arquitetura com o estrutural e as instalações, e alguém precisa decidir o que fazer quando o canteiro encontra algo que o desenho não previa ou quando o erro de uma etapa só aparece na seguinte.
Esse trabalho de coordenação existe em qualquer obra. A diferença está em onde ele mora. Ou fica dentro de um contrato, com alguém responsável por ele, ou fica com o cliente, que passa a fazer a ponte entre profissionais que não conversam entre si e a arbitrar conflitos que não tem como avaliar tecnicamente.
Onde o custo da interface entre projeto e obra aparece?
A mesma reportagem da BM&C News aponta esse risco: contratar os três de forma avulsa pode parecer economia no começo, mas aumenta a chance de falha de comunicação entre projeto e execução e de retrabalho caro, sobretudo no acabamento.
Exemplos hipotéticos, só para ilustrar: um vão executado com uma medida diferente da que a marcenaria precisava, um ponto elétrico que não conversa com o móvel desenhado ou um revestimento comprado antes de a especificação fechar. Esses exemplos são nossos e não saem da reportagem.
Um dado de natureza diferente, mas na mesma direção: ao divulgar a pesquisa Datafolha, o CAU/BR menciona um levantamento qualitativo de 2015 sobre obras tocadas só por mestre de obras e pedreiros, associadas a dificuldade de orçamento, retrabalho e desperdício de material. Já um artigo de Amanda da Silva Guimarães e Luiz Henrique Costa Oscar, publicado em 2023 na revista Gestão & Gerenciamento, conclui que planejamento e gerenciamento adequados ajudam a antecipar problemas, controlar custos e melhorar a comunicação entre as equipes.
Nenhuma dessas fontes mede quanto esse custo representa no total da obra, e a gente não vai inventar um número para isso. O que dá para afirmar é onde ele costuma aparecer: no meio da execução, quando corrigir custa mais do que teria custado ainda no papel.
Como funciona o modelo integrado?
No nosso caso, projeto, compatibilização e execução ficam com a mesma equipe e com um interlocutor. A responsabilidade técnica fica registrada em nome de quem responde por cada frente: o RRT do projeto é da arquiteta Isadora Belezini, e a ART da execução é do engenheiro Raphael Naves, os dois sócios do escritório.
Na prática, isso muda a forma de lidar com problema. Quando algo sai diferente do previsto, ninguém aqui gasta energia tentando provar que o erro foi de outro fornecedor. A coordenação fica dentro da equipe, com quem desenhou conversando direto com quem executa. Assim, o esforço vai para a melhor solução para a obra. O argumento completo sobre retrabalho e intenção de projeto está no texto sobre projeto e obra com a mesma equipe.
O modelo integrado não é, por si só, mais barato nem mais caro, e a gente não promete economia. O que muda é que a interface entre projeto e execução passa a ter um responsável, em vez de ficar no colo do cliente.
Quando contratar separado ainda faz sentido?
Contratar cada profissional por conta própria funciona bem quando o cliente tem tempo e conhecimento técnico para coordenar a obra, ou quando a intervenção é pequena e simples, como trocar um piso sem mexer em instalações. Também é um caminho natural para quem já tem um engenheiro ou um mestre de obras de confiança e prefere manter essa parceria na execução. Nesses casos, vale deixar combinado desde o começo quem decide o quê, e por escrito.
O que perguntar antes de fechar o orçamento?
Seja qual for o modelo, algumas perguntas evitam surpresa no meio da obra:
- O que está incluído no projeto e o que é cobrado à parte, como os projetos complementares de estrutura, elétrica e hidráulica.
- Quem compatibiliza o projeto de arquitetura com esses complementares.
- Quem acompanha a obra, com que frequência e como esse acompanhamento é cobrado.
- Como são tratadas as mudanças pedidas depois que o projeto foi aprovado.
- Quem assina a responsabilidade técnica do projeto e da execução.
Se as respostas ficarem espalhadas entre três contratos diferentes, é bom saber de antemão que a coordenação vai ficar com você.
Se você está planejando uma obra em Ribeirão Preto ou na região e quer entender como seria a proposta para o seu caso, fale com a gente. Os serviços de projeto e de gestão de obra estão descritos na página de serviços.



